• Religulous

    Ontem vi um documentário brilhante sobre religião. Um documentário que coloca todas as dúvidas que eu própria tenho acerca da existência de Deus, de Jesus Cristo, das histórias bíblicas e da criação do Universo.

    Tal como o autor do documentário, o comediante Bill Maher, fui educada segundo a religião Católica. As minha avós são católicas praticantes, toda a minha família é casada e baptizada pela Igreja (eu fui a primeira a casar só pelo civil!) e celebramos o Natal e a Páscoa. Ainda andei uns meses na catequese, embora tenha conseguido fugir à Primeira Comunhão e às aulas de Religião e Moral do ensino preparatório, altura em que comecei a questionar seriamente a religião.

    Antes disso, já algumas questões me importunavam de vez em quando, tipo, “se Maria era Virgem, como é que engravidou?” ou “se Adão e Eva foram os primeiros humanos e tiveram filhos para povoar a terra, isso significa que os filhos deles, para continuar a missão, tiveram de cometer incesto, não?”. Só que até aos 12 anos, preocupava-me mais com a cor do novo vestido da minha Barbie do que com questões teológicas. E assim, as dúvidas que iam surgindo, nunca foram verbalizadas.

    O que mudou aos doze anos? As Barbies deixaram de ter piada e comecei a interessar-me mais pelo Mundo. Comecei a ler o Expresso, a ver telejornais e a adorar as aulas de História. Acima de tudo, comecei a expor as minha dúvidas e a perceber que os católicos não conseguiam dar-me respostas lógicas. O único que me ia respondendo com pragmatismo era o meu pai, que é também a única pessoa da família assumidamente “areligiosa”.

    De lá até agora tornei-me então uma céptica. Talvez agnóstica. Ainda admito que possa haver uma força divina superior (sobretudo quando estou a ver um jogo do Benfica), mas ainda não tive provas da sua existência e, quanto mais investigo os fundamentos de várias religiões, mais a questiono.

    Assim, não é de estranhar a minha felicidade ao ver um documentário que vai atrás das respostas que também eu tenho procurado. E que o faz de forma hilariante. Uma felicidade ainda mais completa ao ouvir o autor a dar a única resposta honesta que pode haver quando se pergunta se Deus existe:




    - Não sei.




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