• His name was Prince


    Na rua onde eu morava havia uma loja de discos. Foi lá que vi o Prince pela primeira, vez em meados dos anos 80. Era uma bandeira ou poster onde ele aparecia nu, com um ar andrógeno. Cada vez que passava pela loja ficava fascinada por aquela imagem, mas depois a Madonna, com as suas rendas e tutus, ganhou a minha atenção de menina e deixei o Prince de lado.

    Para grande sorte minha, o meu pai adora música, tem um extremo bom gosto musical e, na altura, tendo um bar, até fazia de DJ. O bar tinha uma parabólica que nos permitia ver a MTV. Prince estava sempre lá, na sua mota, nos seus fatos roxos, com as suas camisas victorianas, com a sua guitarrista (eu nunca tinha visto uma mulher na guitarra), com o seu talento (o meu pai contou-me na altura que ele tocava uns 10 instrumentos) . E “lá” não era só no bar do meu pai, mas na nossa casa. Prince and the Revolution.

    Ao longo dos anos fui acompanhando o seu trabalho com enorme curiosidade. Mesmo quando entrei na minha fase grunge, vidrada nos Nirvana, o álbum “Diamonds And Pearls” tocava lá em casa e no carro e no quarto do meu irmão. Acho Musicology um trabalho brilhante, que se calhar passou despercebido no meio do ruído da indústria neste século. Já para não falar das inúmeras músicaa que ele compôs e escreveu para outros artistas e que a maioria das pessoas nem imagina que sejam dele.

    Bom, mas na verdade, não importa o que eu acho. É unânime que Prince foi “um arquitecto mestre do funk, rock, R&B and pop" (NY Times). Um génio que, como qualquer génio, nunca se deixou limitar por um género e procurou sempre explorar novos caminhos, independentemente das críticas, dos níveis de popularidade ou do que a indústria achava que ele devia fazer. E hoje, perdeu-se um génio.








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