• Se há coisa que me choca nos dias que correm é, após cerca de 160 anos de luta, ainda haver quem não entenda o que é ser feminista. Sobretudo as próprias mulheres. Não são poucas as que afirmam orgulhosamente “eu cá não sou feminista”, com o mesmo ar com que diriam não sou comunista, não sou fascista, não sou terrorista. Tal como muitos há que consideram que, agora que o direito ao voto, ao divórcio e em alguns casos ao aborto são dados adquiridos, não há razão para continuar com histerismos. Pois que dia melhor do que o de hoje para esclarecer as mentes mais distraídas?

    Começo por vos elucidar sobre o que ser feminista NÃO É.

    Ser feminista não é ser contra os homens ou as diferenças entre géneros.

    Ser feminista não é negar a feminilidade, os padrões de beleza ou o cavalheirismo.

    Ser feminista não é querer acabar com o nosso papel fundamental enquanto mães, educadoras e cuidadoras do lar.

    As feministas não são mulheres ressabiadas, normalmente solteironas ou divorciadas (porque não há quem as ature) que querem castrar os machos, subjugá-los e reduzi-los a dadores de espermatezóides enquanto a ciência não conseguir dispensá-los na tarefa de propagação da espécie. Também não são todas lésbicas ou fornicadoras implacáveis que se recusam a casar e procriar só para mostrarem que são modernas.

    Isto porque o feminismo não é o contrário do machismo. Não pretendemos sobrevalorizar as características físicas, intelectuais ou morais do género feminino em relação ao masculino. Não nos consideramos superiores ou mais capazes, nem queremos impor à sociedade uma sociedade matriarcal. Queremos simplesmente igualdade.

    Posso então passar a enumerar o que É ser feminista.

    Ser feminista é respeitar as características de cada género (qualquer género), livres de padrões opressores patriarcais.

    Ser feminista é lutar pela igualdade. Porque embora a primeira geração de feministas tenha conseguido o direito ao voto e à propriedade, e a segunda geração tenha conseguido o direito ao divórcio, à independência dentro do casamento e ao aborto (ou pelo menos à possibilidade de escolher quando engravidar), cabe-nos a nós, a terceira geração, lutar pela igualdade salarial, pela igualdade no acesso a cargos políticos e administrativos relevantes, pela igualdade de tratamento dentro das empresas.

    Ser feminista é lutar para que a violência sexual, incluindo a que acontece dentro do casamento ou namoro, seja vista por toda a sociedade como algo tão repugnante como a pedofilia.

    Por isso, sim: o feminismo continua a ser necessário. E continuará a ser enquanto não houver em todos os sectores, públicos e privados, salário igual para trabalho igual; enquanto houver olhares de esguelha sempre que uma mulher anuncia que está grávida/ a usufruir da redução de horário por amamentação/ vai ficar em casa com os filhos doentes; enquanto houver mulheres a insinuarem que determinada colega só teve sucesso porque é bonita ou foi para a cama com alguém; enquanto continuarem a perguntar às miúdas de vinte e poucos anos nas entrevistas de emprego se estão a pensar casar-se e ter filhos nos próximos anos; enquanto tivermos de impor cotas para mulheres seja onde for; enquanto houver condescendência; enquanto as escritoras, pintoras e demais artistas não tiverem o mesmo destaque que os homens nas prateleiras das livrarias e nas paredes dos museus e galerias; enquanto houver mães a dizerem às filhas que não podem ir para o futebol porque são meninas, ou aos filhos que não podem ir para a dança porque são meninos.

    E a culpa de ainda precisarmos do feminismo é precisamente das mulheres. Porque se somos nós que criamos e educamos os nossos filhos, se somos nós que nos deitamos com os nossos maridos, se somos nós que cuidamos dos nossos pais, como é que ainda estamos tão longe de alcançar a igualdade? Como é que, ao longo de mais de um século não conseguimos desfazer os preconceitos e educar mentalidades? Porque somos as nossas piores inimigas. Porque perdemos tempo com coisas pequenas, intrigas e invejas, mas sobretudo porque cuidamos primeiros dos outros e só depois de nós. Se gastássemos metade da energia que gastamos em fofocas a falar das coisas que é preciso mudar, se lutássemos pelos nossos direitos com a mesma ferocidade com que lutamos pelos nossos filhos, se pedíssemos justificações aos nossos empregadores com a mesma determinação com que pedimos justificações à gaja que se meteu com o nosso namorado, já não estávamos a ter (mais uma vez!) esta conversa.

    O feminismo para uma mulher não devia ser uma opção. Devia ser uma obrigação, um modo de vida. E para os homens, que amam profundamente as suas mães, as suas irmãs e as suas filhas, uma causa pela qual lutassem com fulgor.



    #nãomecalo










  • Hoje escrevo-vos como embaixadora do concurso de fotografia Um Click por ELA, uma iniciativa que visa despertar consciências para a doença neurológica degenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica.

    Esta doença rara, altamente debilitante, não escolhe idades nem estilos de vida e, por enquanto, não tem cura. Como em qualquer doença rara importa divulgar a sua existência, apoiar os doentes para que tenham o mínimo de qualidade de vida e investir na investigação.
    E é precisamente para isso que serve este concurso de fotografia. Um concurso no qual podem participar todos os fotógrafos, amadores ou profissionais, e cujos trabalhos selecionados pelo júri serão expostos em diversos eventos e instituições. Os vencedores de cada categoria receberão ainda um prémio.

    Mas apressem-se que as inscrições terminam já no dia 5 de Março!

    Eu sei que é um bocado em cima da hora, mas tenho a certeza de que há por aí muita gente com trabalhos na gaveta prontinhos a serem enviados.




  • Nos últimos anos, como já todos estão cansados de saber, Lisboa transformou-se numa das capitais mais apetecíveis do mundo. Prémios, artigos, reportagens, votação do público, votação de especialistas. É unânime para todos o que nós, portugueses, já sabíamos: Lisboa é uma das cidades mais espetaculares do planeta.

    Com toda esta atenção chegou o dinheiro para obras necessárias, que tornaram e continuam a tornar a cidade cada vez mais bonita, e chegaram também os hotéis sofisticados, os restaurantes premiados, as lojas mais fashion, os terraços, as esplanadas, os prédios devolutos de cara lavada, os museus dinamizados, os comerciantes mais abastados, os turistas boquiabertos e nós, os que cá vivemos, cada vez mais inchados com todo o reconhecimento. Sem ironias, que eu sou daquelas que me regozijo com o fenómeno e prefiro ter um hotel de 5 estrelas na Baixa do que um prédio a cair de podre, tal como prefiro ter ciclovias e esplanadas do que carros em cima dos passeios. Já estive em cidades que recebem muitos mais turistas do que Lisboa e nem por isso perderam encanto. Ou seja, não são os turistas que me preocupam.

    O que ultimamente começo a temer é que a ganância nos leve longe de mais, uma vez que toda a gente que tem um metro quadrado na cidade, de repente, acha que está sentado em cima de uma mina de outro e faz tudo para o rentabilizar. Falo dos proprietários, que começam a despejar inquilinos e lojistas, por exemplo, não para os substituir por outros inquilinos e lojistas que paguem rendas mais caras e actualizadas, como está no seu direito, mas antes para fins exclusivamente turísticos, seja na versão hoteleira ou na versão short-renting. Falo das lojas tradicionais, drogarias, sapateiros, alfarrabistas, tasquinhas e oficinas que começam a ser substituídas por lojas de souvenirs feitos na China ou por marcas de cadeias internacionais. Falo dos negócios que toda a gente vê que são feitos para o estrangeiro deslumbrado e do preço das casas que saem das reabilitações a ultrapassar os sete dígitos, tornando-se proibitivos para quase todos os portugueses.

    Eu sei que é difícil gerir o interesse público, histórico, cultural e os direitos dos proprietários, que os têm e nunca devem ser esquecidos, mas o que faz uma cidade não são só as suas bonitas fachadas e monumentos. Na verdade, e especialmente no caso de Lisboa, grande parte da alma e charme está nos próprios lisboetas. O que será do Castelo, de Alfama, da Mouraria, do Bairro Alto sem os seus típicos moradores? O que será dos Santos sem aqueles que se envaidecem pela sua rua porque é sua, porque sempre foi sua, porque lhe está no sangue? O que será dos cafés sem o bolo caseiro, a sandes de torresmos, o pastel de bacalhau frito em óleo com vários dias? Como será passar pelas ruas e não ver as cuscas à janela, os malandros encostados, os reformados a jogar no largo, as crianças a brincarem sem vigilâncias, donas daquelas calçadas, protegidas pela vizinhança? Como será deixar de ouvir o sotaque lisboeta, como deixou de se ouvir os cauteleiros, as varinas e os vendedores ambulantes, cujos pregões estão agora reduzidos a registos escritos?

    Estas dúvidas assaltaram-me com maior intensidade quando estive recentemente em Salvador da Bahia, no Brasil. Tinha lá estado há precisamente vinte anos e na altura fiquei apaixonada pela cidade. Mesmo sob chuvas torrenciais a cidade vibrava e o centro antigo, a zona do Pelourinho, era um mosaico de cor, música e autenticidade. Havia músicos em cada esquina, mães de santo, mulheres trajadas de baianas a venderem bugigangas, mas que não cobravam para tirarmos uma fotografia com elas, igrejas de porta aberta, galerias de arte repletas de obras originais, de artistas locais, havia pessoas a saírem e a entrarem das suas casas e rodas de capoeira. Era um sítio turístico, claro, mas com alma. Desta vez estava lá tudo, igualzinho e até melhorado, com as fachadas todas bonitinhas e nenhum lixo no chão. Mas não estavam lá as pessoas. Nem os botequins, agora substituídos por restaurantes com mobília nova e ementas tipo buffet. Nem a música, nem o cheiro. No rés-do-chão de cada edifício, loja sim há um restaurante, loja não há uma loja de souvenirs que vende exactamente o mesmo que a loja anterior. Dos ímanes às t-shirts, dos quadros às canecas, é tudo igual em todas as lojas. Não vi uma única criança. Nem mesmo das mais pequeninas que ainda não andam na escola. Parecia que estava num cenário de um filme, onde está tudo lá, excepto a vida. Foi triste. Talvez não tivesse sido se fosse a minha primeira vez em Salvador. Mas tendo como comparação o que vivi vinte anos antes, foi um choque.

    E é isso que não gostava que acontecesse a Lisboa. Quero vê-la bonita, cosmopolita, hospitaleira, cheia de gente de todo o mundo, mas também cheia de lisboetas. Porque a verdade é que, ao contrário dos parisienses, dos madrilenos, dos romanos, nós não temos rendimentos que nos permitam viver numa cidade em que as casas custam mais de um milhão de euros e em que as rendas das lojas só conseguem ser suportadas por multinacionais. O que faz com que o nosso destino se aproxime mais do dos baianos.

    Não sei quais as medidas mais eficazes para impedir tamanha tragédia. Pode passar por coisas como a tal lei de protecção do comércio local tradicional com interesse histórico, que supostamente será aprovada até ao Verão, ou por outras que limitem o número de casas com licença para arrendamentos de curta-duração, de modo a que as casas reabilitadas fiquem disponíveis para arrendamento de longo prazo, ou por outras ainda que limitem a especulação imobiliária provocada por esta nova moda dos estrangeiros comprarem cá casas com o único intuito de terem morada fiscal portuguesa e não pagarem impostos, mantendo-as fechadas e inabitadas grande parte do ano. Não sei. Mas penso que todas essas medidas e outras que surjam devem ser estudadas e ponderadas com seriedade, para que daqui a uns anos não nos deparemos com uma cidade fantasma, com fachadas de plástico a imitar o antigo, alimentada por cadeias tipo Padaria Portuguesa, e cuja alma foi vendida ao turismo.

  • Uma das melhores coisas que a experiência de publicar livros me trouxe foi a possibilidade de conversar com os meus leitores. É uma relação diferente da que se cria com seguidores do blog ou de redes sociais, porque um livro é um objecto em si, que simplesmente se pode fechar e arrumar numa prateleira para não tão cedo voltar a ser aberto. Ou seja, quando se lê uma crónica num blog ou um post no Facebook é fácil e imediato fazer um comentário. Mas haver leitores que depois de terminarem um livro se dão ao trabalho de pegar num smartphone ou computador para me escreverem um email ou mensagem a falar de um livro meu é sinceramente comovente.
    Por vezes escrevem-me para elogiar ou comentar o livro, mas muitas vezes acabam por fazer pequenos desabafos ou partilhar um bocadinho das suas histórias. E de repente parece que nos conhecemos, embora nunca nos tenhamos cruzado. E de repente cria-se uma ligação muito especial.
    A Liliana é uma dessas leitoras. Contactou-me pela primeira vez meses depois de "Os 30" terem saído e, desde então, a cada novo livro, há sempre da parte dela uma palavra carinhosa. Por isso, foi com todo o gosto e sem qualquer hesitação que respondi ao seu pedido de entrevista. Uma entrevista que acabou por resultar muito bem, mérito das perguntas dela.

    Digam lá se não concordam.


    1- Quem era a Filipa antes e depois do primeiro livro editado?
    Continuo a mesma Filipa, a Filipa que sempre quis ser escritora e que sempre escreveu histórias. A diferença reside no facto de agora ter mais confiança na minha escrita porque houve quem quissesse publicar o que eu escrevi e porque recebi boas criticas dos leitores. Ou seja, descobri que o que escrevo interessa às pessoas (pelo menos a algumas) e isso acaba por me dar mais motivação para continuar a escrever.


    2-Qual a sensação dum trabalho reconhecido?
    É fantáśtico! É descobrir que afinal as minhas histórias, as minhas personagens, as minhas ideias são relevantes. Saber que provoco nos meus leitores o mesmo que tantos escritores que li me provocaram. 

    3- Qual dos três livros é o teu preferido ou te deu mais gozo fazer? Porquê?
    O meu preferido é "Os 30", porque foi o primeiro. Não há amor como o primeiro, não é? Mas o que me deu mais gozo fazer foi o livro de crónicas "Coisas que uma Mãe Descobre (e de que ninguém fala)", porque tive o prazer de trabalhar com a minha grande amiga Sofia Silva, a autora das ilustrações, e juntas construimos o livro como se fosse também um áĺbum de recordações para quem o lê.

    4- Quem são a Filipa-Escritora e a Filipa-da-publicidade? São a mesma pessoa? É possível, algum dia, só existir uma delas?
    A Filipa-Escritora é a verdadeira Filipa. O que resulta desse trabalho são as minhas ideias, reflexões, paixões. É um trabalho criativo mas íntimo e pessoal. A Filipa-da-publicidade trabalha em dupla e é obrigada a responder a um briefing do cliente, ao escurtínio de directores criativos, às decisões dos directores de marketing, às exigências do público a que se dirige. É um trabalho criativo mas colectivo e completamente impessoal. Nem poderia ser de outra forma: quando escrevo para publicidade escrevo em nome da marca que estou a trabalhar. Não pode transparecer a minha voz.
    Gostava de um dia poder ser apenas a Filipa-escritora.

    5- E se amanhã acordasses e tudo tivesse sido um sonho?
    Continuava a escrever e a enviar manuscritos a editoras até conseguir realizar o sonho.

    6- Que conselhos dás a quem quer seguir os teus passos?
    Muito trabalho, muito sentido crítico, muita preseverança. Ter a humildade para saber que há centenas de escritores melhores que nós, que é muito difícil vender livros em Portugal, mas que isso não pode ser desculpa para pararmos de escrever e deixarmos de fazer mais e melhor.

    7- Quais são os pros e os contras de ter um trabalho editado?
    Os pros são ter uma voz e ver a nossa mensagem chegar a pessoas que nao conhecemos, que nem sonhávamos que pudessem ler as nossas palavras. Os contras são passarmos a estar sujeitos ao cyber-bulling (para quem como eu está muito presente nas redes sociais) e à crítica destrutiva e infundada.

    8- Eram estas as tuas expectivas?
    Chegar ao top 100 da Amazon? Não, isso foi muito mais do que tinha imaginado.


    9- Já pensaste em desistir? Porquê?
    Nunca pensei em desistir, porque escrever é o que mais gosto de fazer. Enquanto tiver leitores, mesmo que sejam poucos, vou continuar a publicar. E se um dia não tiver leitores continuarei a escrever para mim.

    10- Tens novidades que possas partilhar?
    Sim! Esta Primavera vai sair o meu quarto livro. Ainda não posso revelar o título, mas posso dizer que se trata de um romance contemporâneo e que se passa nas ruas de Lisboa.

    11- Uma frase...
    Não há impossíveis

    12- Algo que não realizaste no mundo da literatura...
    Viver da escrita

    13- Os teus livros serem convertidos em filmes, séries e/ou peças de teatro seria...
    Maravilhoso. Adorava ver como um realizador ou encenador pegaria nas minhas histórias e como os actores dariam corpo às minhas personagens.

    14- A escrita para ti é...
    Indispensável

    15- Os teus livros para ti são...
    Filhos. E agora que sou mãe ainda tenho mais certeza disso: temos uma gestação que nos faz alternar entre o prazer puro e o sentimento de "porque é´que me meti nisto" (o processo de escrita, edição, revisão tem momentos dramáticos); depois temos um parto onde nos vemos entre o medo e a mais completa alegria (o equivalmente ao lançamento do livro); depois vêm os primeiros tempos, em que temos de ter todos os cuidados com a promoção e divulgação do livro, para garantir que tem uma vida longa nas prateleiras das livrarias; e por fim temos de deixá-lo partir, crescer sozinho, passar de mão em mão. Como os filhos, os livros deixam de ser só nossos e passam a ser de todos os que os lêêm. E ainda bem.


    Podem ler a peça completa no blogue da Liliana. Embora em ache que ela exagerou um bocadinho no título, até porque eu só tenho um metro e meio ;)

    http://www.devaneiosdemissl--8.com/2017/02/a-entrevista-grande-filipa-fonseca-silva.html?m=1



  • Sou fã de batons. Sempre fui, a minha mãe que o diga, quando chegava a casa e tinha os seus todos lambuzados das minha experiências infantis. Na verdade, batom é o único item de maquilhagem que não dispenso e que vai comigo para todo o lado. E como devem calcular, ao longo dos úĺtimos vinte anos experimentei todas as grandes marcas do mercado e outras mais desconhecidas, nomeadamente as poucas que existem feitas com ingredientes 100% naturais. Por isso, acreditem, o que vão ler a seguir é uma opinião de quem percebe do assunto, pelo menos na óptica do utilizador.

    Então, a minha busca pelo batom perfeito começou no dia em que descobri que todas as marcas que eu usava eram testadas em animais. DIOR, Clinique, Esteé Lauder, Yves Sain Laurent,L'Oreal, MAC... Aliás, a Estee Lauder, que detém as marcas Clinique, Bobby Brown, La Mer, Tom Ford, Michael Korrs entre outras, tem uma política anti-crueldade que diz que não testam em animais a não ser que seja obrigatório por lei. E adivinhem onde é que é obrigatório testar cosméticos em animais: no maior mercado destas marcas - a China.

    Adiante. Em pouco tempo fiquei reduzida a duas ou três marcas de perfumaria e a lojas como a BodyShop, Lush ou Celeiro. Acontece que estas lojas não são especialistas em maquilhagem. Têm alguns produtos sim, mas ou são tão suaves que parece que não estamos a usar nada ou têm texturas e aromas esquisitos. E para quem estava habituada a marcas com tanta variedade e qualidade, encontrar um simples batom parecia impossível.

    Eis senão quando decido ir à Organii, uma loja de cosmética orgânica que já existe no Chiado há uns bons 6 anos, mas que como para mim não fica numa zona de passagem, esqueço-me de visitar tanto como deveria. Lá encontrei não uma, mas três marcas de maquilhagem com uma boa variedade de produtos. E sobretudo descobri o melhor batom que experimentei na vida!

    Sorbet Lipstick da marca Absolution cor nº3.
    É um batom cremoso e hidratante como um batom de cieiro, brilhante, pouco opaco e que vem em três cores (nude, rosa e cereja). A versão mate tem outras 5 ou 6 cores, mas eu prefiro batons com algum brilho. Ah, e cheira a rosas! Acreditem que é mesmo o melhor batom que já experimentei.





  • Escrevo esta crónica em jeito de balanço. Bem sei que os balanços de fim de ano valem o que valem e que não temos de esperar pelos últimos dias de Dezembro para os fazer, mas este ano apetece-me mesmo, porque contra todas as expectativas e apesar de todas as desgraças, para mim foi um ano espetacular.

    Foi um ano em que tive a sorte de assistir à fantástica aventura dos meus filhos a descobrirem o mundo. Pode parecer banal, mas não é. O tempo passa tão depressa que esta primeira infância, inocente, crédula, aventureira, passa num abrir e fechar de olhos se não estivermos suficientemente atentos para aproveitar cada momento e gravá-lo na memória antes que se desvaneça.

    Foi um ano em que tive o privilégio de viajar. Por lugares conhecidos e desconhecidos. Não interessa o destino. Viajar, seja para onde for, alimenta a alma e a imaginação. Sair da rotina, ver rostos com que nunca nos cruzámos, saborear coisas que nunca experimentámos, desperta-nos os sentidos. O que nos faz estar mais despertos para as oportunidades que passam por nós.

    Foi um ano durante o qual escrevi mais um romance. (Sim, haverá novidades em breve!) Apesar do trabalho, apesar da maternidade, apesar de ir alimentando quando posso este blog, apesar do cansaço físico, as minhas histórias encontram sempre maneira de sair para o papel. É uma urgência quase física tirá-las da cabeça e vê-las desenrolarem-se em milhares de palavras que sei que um dia serão lidas por alguém.

    Foi um ano em que tive o prazer de fazer novos amigos, numa altura da vida em que, como pessoa introvertida que sou, não o esperava. E não foi apenas conhecer pessoas novas. Foi querer e gostar de estar com elas, foi sentir um à vontade como se nos conhecêssemos há vários anos. O que prova que a amizade, o amor, as oportunidades não diminuem à medida que envelhecemos, desde que estejamos atentos e abertos a recebê-los.

    E foi o ano em que, desculpem-me os que acham que se dá demasiada atenção ao futebol, Portugal foi campeão da Europa, o que ainda hoje, cada vez que me lembro, me faz vibrar. (Aliás, no dia de Natal estava a passar a repetição do jogo e foi quase tão emocionante reviver aquele dia como no próprio 10 de Julho.)

    Por isso, sim, apesar dos atentados terroristas e ambientais, dos recuos civilizacionais, da ascensão preocupante de nacionalismos e figuras incendiárias como Trump, apesar das guerras, dos refugiados, dos pobres, da morte surpreendente de tantos ídolos, da alienação provocada pelas redes sociais, foi um ano muito bom. Porque consegui superar a tristeza, a angústia e a revolta que todos esses acontecimentos me provocam e focar-me naquilo que me faz feliz. Porque todos os anos serão negros em muitos aspectos, mas se soubermos tirar deles os momentos que nos fizeram sorrir, se soubermos valorizar as pequenas coisas boas que nos acontecem, se espalharmos positividade, amor e esperança, qualquer ano merdoso se pode tornar um ano bom.

    E é isso que desejo para 2017. Para mim e para todos vocês: saber transformar o que quer que o novo ano nos traga em algo bom. Manter a fé na humanidade (eu sei que é difícil, sobretudo depois do Trump, mas vamos tentar), celebrar as pequenas vitórias de cada dia, criticar menos e elogiar mais (principalmente nas redes sociais), e acima de tudo não ter medo. O medo paraliza-nos, o medo expõem-nos, o medo impede-nos de tentar, de mudar, de lutar. O medo é realmente o maior inimigo da felicidade. Sejamos, portanto, felizes.




  • Não há maneira mais fácil de encontrar um presente de última hora do que entrar numa livraria. Em poucos minutos é possível descobrir o livro indicado para qualquer idade e gosto, mesmo para quem têm a mania de que não gostam de ler. Das centenas de possibilidades deixo-vos 8 sugestõẽs de livros maravilhosos, da literatura à culinária.




    Todos os Contos

    de Clarice Lispector (Relógio D'Água, 2016)
    Um livro que reune precisamente todos os contos daquela que "The New York Times" considerou "a maior escritora latino-americana de prosa." Acho que não é preciso dizer mais, pois não?



    A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar

    de Ricardo Araújo Pereira (Tinta da China, 2016)
    Tal como o subtítulo diz, trata-se de uma espécie de manual de escrita humorística, ou saber o que RAP tem a dizer sobre escrita de humor. Já li algumas críticas que dizem que é também uma prova do escritor extraordinário que RAP é.




    A Vegetariana
    de Han Kang (Dom Quixote, 2016)
    Vencedor do Man Booker Prizer deste ano, tem sido aclamado como um dos melhores livros do ano. Um romance sobre sexo, violência e loucura, que começa com o desejo de uma mulher de se tornar vegetariana até querer ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore.



    A Amiga Genial 
    de Elena Ferrante (Relógio d'Água, 2014)
    A história de duas crianças que se conhecem num bairro popular dos arredores de Nápoles e a sua amizade ao longo da adolescência. Da autora mistério de que toda a gente fala.



    O Livro Amarelo
    de Mark Twain, Jorge de Sena e James Joyce ( Guerra & Paz, 2016)
    Três contos natalícios de três gigantes da literatura:
    A Noite que Fora de Natal, Uma Carta do Pai Natal e Os Mortos. Que mais se pode pedir?



    Dicionário de Palavras Supimpas 
    de José Alfredo Neto (Guerra e Paz, 2016)
    "Num dicionário convencional, entre sulipampa e surripiar surgem páginas inteiras de palavras como suor ou superveniência. Neste, a única que aparece é supimpa." Assim diz a sinópse e eu acredito porque conheço o autor e humor e inteligência são coisas que não lhe faltam. Um livro para dar umas boas gargalhadas.




    Era uma vez um Alfabeto 
    de Oliver Jeffers (Orfeu Negro, 2016)
    Eu sou suspeita, porque o Oliver Jeffers é o meu autor infantil preferido e não resisto a comprar cada novo lançamento. Este mais recente membro da famíĺia é tão irresistível como os anteriores e ainda não me cansei de o folhear. Para crianças de todas as idades, incluindo maiores de 18.



    As Receitas de Natal do Jamie Oliver

    de Jamie Oliver (Porto Editora, 2016)
    Diz que inclui todos os clássicos de que precisamos para o grande dia e para a época natalícia, nomeadamente sugestões para criarmos presentes, receitas para o grande acontecimento e ideias para aproveitar todas as sobras.

  • Quando era miúda adorava ter um gripezinha. É que nessa altura ficar doente significava uns três dias em casa com a televisão só para mim, mimos extra da mamã, canjinha e lanchinhos levados ao sofá num tabuleiro e até um livro para pintar novo ou qualquer coisa do género que a minha mãe trazia para que eu não me aborrecesse.

    Quando saí de casa também não era nada mau ficar doente. Já não tinha a mamã, mas tinha o maridão, sempre prestável, sempre preocupado, que não fazia canjinha porque a primeira e única vez que lhe pedi apresentou-me uma canja com esparguete, que era a sua definição de “junta umas massas”, mas que assim que chegava a casa me enchia de chá e de mimos. Ficar doente era também uma oportunidade de fazer gazeta e estar três dias a ver televisão, a pôr a leitura em dia e, nos momentos em que o paracetamol fazia efeito e me dava uma energia extra, fazer aquelas coisas que nunca temos tempo para fazer em casa, tipo arrumar as gavetas ou limpar o frigorífico por dentro.

    Hoje em dia, com dois filhos pequenos, uma gripe é o meu maior pesadelo. E uma gripe a aturar duas criaturas também com gripe é a absoluta definição de INFERNO. Um inferno inevitável sempre que alguém adoece lá em casa.

    É que estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é fazer as mesmas coisas que faria se estivesse na melhor forma mas com febre e dores variadas. Não há cá tempo para descansar, nem para ficar no sofá e se quiser uma canjinha tem mesmo de levantar o rabo do chão, onde esteve sentada durante duas horas a brincar com legos e a separar brigas de irmãos, e ir fazê-la. Não há cá televisão a não ser que esteja ligada no canal Panda e claro que, no momento em que pensa que vai conseguir dez minutos para tomar um banho quente a ver se o vapor desentope o nariz, é chamada duzentas vezes por um dos monstrinhos.

    Estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é passar o dia a sonhar com a cama, mas quando chega a hora de dormir ter arrepios só de pensar que vai ter de se levantar umas quatro vezes para verificar febres, para distribuir copos de água, para acalmar tosses e depois voltar para a cama a pensar que é melhor não adormecer senão vai custar mais acordar na próxima chamada.

    Estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é desejar que o Brufen tenha nela o mesmo efeito que tem nas crias, que uma hora depois da toma passam de um estado de languidez para uma euforia tal que parece que fizeram uma linha de coca.

     E finalmente, estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é desejar ardentemente voltar para o escritório e se possível que lhe peçam para ficar a trabalhar até mais tarde. É que ao menos no escritório dá para estar sentada todo o dia e as dores de cabeça passam mais depressa sem gritos.


  • O frio já se faz sentir, as lareiras começam a crepitar, as luzes de Natal enfeitam as ruas e tu arrastas uma lista no bolso com as pessoas a quem queres comprar um presente. Não tens tempo, não tens paciência para andar nas compras e acima de tudo, não sabes como fugir ao livro, à garrafa de vinho, às velas perfumadas e à camisola de malha.
    Nada temas. Como é habitual aqui no blog, e encarnando a figura de ajudante de Pai Natal que tão bem condiz com a minha estatura, trago no meu saco imaginário variadíssimas sugestões de presentes de Natal diferentes e com a vantagem adicional de serem todos 100% portugueses, que eu levo muito a sério esta coisa de privilegiar o que é nosso.
    Preparados? Então aqui vai.

    1. À Capucha
    A capa tradicional portuguesa, usada por pastores e lavradores, feita à mão em tecido 100% lã impermeável, foi reinventada para se adequar a um estilo de vida cosmopolita. Directamente da aldeia de Arões para qualquer ponto do país, estas capuchas são feitas por encomenda e demoram cerca de 3 semanas a estarem prontas, por isso, não te atrases ou o Pai Natal não terá tempo para a entregar.


    2. Aldeia da Roupa Branca
    Lavar a roupa à mão já não é tão comum como nos tempos do filme de Beatriz Costa, mas invariavelmente há que fazê-lo. E porque não fazê-lo com os cheirinhos de outros tempos? Esta marca portuguesa aposta no sabão tradicional, mas também nas águas perfumadas para passar a ferro, nos saquinhos par perfumar os roupeiros e muito mais. Um cofret como na imagem ronda os €35 e é um daqueles presentes surpreendentes impossíveis de não gostar.


    3. Peças Bordalo Pinheiro
    Nada como manter as tradições vivas e ao mesmo tempo oferecer uma obra de arte. Com peças a partir dos €6.90, desde pratos a jarras ou bonecos decorativos, há muito por onde escolher na loja online ou num dos inúmeros pontos de venda por esse Portugal fora, como as lojas Vista Alegre ou A Vida Portuguesa.


    4. Máquina de café Briel
    Para fugir à monotonia das máquinas nespresso e afins, cujas cápsulas, sabe-se agora, são uma praga e um pesadelo para reciclar, que tal apostar numa marca portuguesa e voltar a usar café a sério? Para mim pode ser esta edição especial em cor-de-rosa, ouviste Pai Natal? É tãoooooooo linda!


    5. Licores Pinguça
    Com sabores como cacau ou maracujá, estes licores artesanais mas com um design inspirado nos antigos elixires boticários, vão fazer as delícias de qualquer adulto e são uma alternativa deliciosa à aborrecida garrafa de vinho (não desfazendo nos magníficos vinhos portugueses de todas as regiões e preços que temos por aí). As receitas são de uma tal Avó Micas, que até dá nome a uma das variedades.


    6. Produtos Hands on Earth
    E continuando numa onda gourmet, esta sugestão traz-nos o melhor da agricultura biológica: tisanas, compotas, mel, frutos desidratados e ervas para cozinhar. Podem ser comprados individualmente ou na forma de bonitos cabazes que vão dos €7.95 (3 condimentos simples) aos €34,50 (cabaz composto por vários produtos premiados, que se vê na imagem). Não parece delicioso?


    7. Viagens Chocolate Box
    Forest Gump dizia que a vida é como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que nos vai calhar. Foi a pensar nisso que o experiente viajante e guia Inácio Roseira criou a Chocolate Box, a primeira agência de viagens focada em escapadinhas de 3 dias cujo destino é surpresa. Só temos de escolher as datas, três cidades que não queremos mesmo que nos calhem e esperar pela surpresa que só chega na véspera da partida, acompanhada de um guia personalizados da cidade, um livro para ler na viagem e uma tablete de chocolate. O preço é €495 e inclui voo e 2 noites em hotel de 4 ou 5 estrelas com pequeno-almoço. E o mais giro é que, sendo o destino surpresa, podemos oferecer uma Chocolate Box a nós próprios! Adoro a ideia.

    8. Sapatos Rumbanita
    É verdade, para mim não há Natal sem sapatos e estes são de morrer! Inspirados nos sapatos de dança de salão e tão confortáveis que nos fazem querer mesmo dançar, as Rumbanitas são o presente ideal para mulheres que, como eu, nunca terão demasiados sapatos.

    9. Brinquedos Science 4 you
    Há muita gente que desconhece que esta marca é portuguesa. Sim. É mesmo. Mas não é só por isso que os brinquedos e jogos Science 4 You são um presente giro para miúdos a partir dos 3 anos. É porque os jogos e puzzles e laboratórios são mesmo didáticos e divertidos. E há para todos os gostos: dinossauros, planetas, experiências de química ou botânica, fábrica de sabonetes ou de iogurtes! Tudo para pequenos exploradores.

    10. Agenda IPO
    Ilustrada pelo multi premiado João Vaz de Carvalho e partilhando histórias de 12 personalidades portuguesas, esta agenda vai acompanhar o seu dono durante todo o ano com imagens e textos inspiradores, ao mesmo tempo que as receitas revertem para uma das causas mais nobres que conheço, a ala pediátrica do IPO. Porque para mim, Natal é também fazer mais pelos outros.



    E agora apressa-te, que já só falta um mês! Feliz Natal!

  • Estou a preparar o meu próximo projecto e tenho andado a pesquisar as histórias mais inacreditáveis que acontecem com CHEFES. Desde o clássico "tens muita sorte em ter um emprego" ao "há mais quem queira o teu lugar", há coisas que os chefes nos dizem ou fazem que contado ninguém acredita. E são precisamente essas histórias que eu preciso.

    Queres ajudar-me?
    Se quiseres, basta enviares um email para filipafonsecasilva@gmail.com ou enviares uma mensagem privada pelo Facebook com a tua história mais inacreditável/hilariante/surpreendente.

    O total anonimato está garantido e as histórias que eventualmente usarei serão sempre contadas na perspectiva de um personagem fictício sem mencionar nomes, locais de trabalho ou qualquer outro pormenor que possa identificar os intervenientes. Por isso, nao tenhas pudores e deita tudo cá para fora ;)

    Obrigada desde já!

    Um beijinho

    Filipa Fonseca Silva


  • O resultado das eleições americanas surpreendeu-me. Sim, chamem-me ingénua, mas mesmo depois do Brexit acreditei no melhor, e sobretudo que a estupidez humana tem alguns limites, pelo menos os limites de não votar em alguém que fala das mulheres com frases como “grab them by the pussy” ou dos imigrantes mexicanos com um “they are murderers and rappists”. Pois. Parece que mais uma vez a minha esperança na nossa espécie foi demasiada e os factos demostram que não há mesmo limites para a estupidez.

    Por mais que os especialistas expliquem este resultado com teorias acerca do voto contra o sistema ou como reacção à crise global, na esperança ingénua de que as coisas voltem a ser como nos dourados anos noventa onde a prosperidade e ostentação no mundo ocidental eram os valores glorificados, custa-me aceitar que entre dois males se escolha aquele que personifica tudo aquilo de que o mundo neste momento não precisa: aquele que assenta num discurso populista, odioso, misógino e ignorante. E já agora era importante que as pessoas finalmente percebessem que o mundo nunca mais vai ser como nos anos noventa, que os recursos são escassos e finitos, que o planeta não sobrevive a milhões de pessoas a guiarem carros poluentes, a comerem três quilos de carne de vaca por semana e a viverem em casas de sete assoalhadas com vinte televisões.

    E isso leva-me precisamente ao que realmente me assusta nesta eleição e na razão pela qual considero que o fim do mundo está próximo. Não é o facto dos americanos terem um presidente xenófobo, machista, mal-educado e ignorante. Isso é um problema deles e será um problema tanto maior quanto as medidas que ele vier a adoptar, que incluem coisas como acabar com o Obamacare e manter o acesso às armas como está. O que é devastador é ter consciência do impacto de um presidente destes no futuro do planeta. Um presidente que em Maio disse que o aquecimento global é um embuste e que uma das suas primeiras medidas no que toca ao Ambiente seria cancelar o Acordo de Paris, que como todos deviam saber não é vinculativo, logo qualquer pais pode simplesmente ignorá-lo sem qualquer consequência. Um presidente que garantiu aos lobistas do petróleo, aos trabalhadores das industrias poluentes e a todos aqueles que não estão dispostos a abdicar de nenhuma parte do seu “american way of life” que vai traçar um plano energético que coloque as necessidades das famílias e trabalhadores americanos em primeiro lugar. Sendo que as necessidades energéticas das famílias e trabalhadores americanos são o dobro das da Grã Bretanha e duas vezes e meia as do Japão. Aliás, está mais do que provado, demostrado e divulgado que os americanos, que representam 5% da população mundial, gastam 1/3 de todo o papel, ¼ de todo o petróleo, 23% de todo o carvão e 27% de todo o alumínio. DO PLANETA!

    Quando acabei de ver o documentário [Before the Flood], de que vos falei no último post, apesar de deprimida fiquei esperançosa por saber que ainda havia maneira de reverter a espiral de destruição que vai acabar com a vida na Terra nos próximos séculos. Mas com este resultado , resta-me começar a fazer o luto. O planeta como o conhecemos começou hoje a morrer. A não ser que os líderes do resto do mundo se mantenham comprometidos e avancem com as medidas necessárias, mostrando aos EUA que não precisam deles e que a sua dependência do petróleo vai deixá-lo sozinhos, com os seus amigos do médio oriente, enquanto o resto do mundo civilizado se liberta e sobrevive com energias renováveis. E entretanto pode ser que os furacões e as secas atinjam os EUA com cada vez mais força até os americanos perceberem que quem semeia ventos colhe (literalmente) tempestades.
  • Este título é um bocado enganoso, porque em termos práticos a Terra não precisa de humanos para nada. Já viveu milhões de anos sem nós e continuará a existir quando desaparecermos. Mas precisa da nossa ajuda e sobretudo da nossa acção para continuar a ter condições para nos alimentar. É esta a grande mensagem do fabuloso documentário de Leonardo DiCaprio [Before the Flood].

    O aquecimento global está em marcha e os seus efeitos, aqueles que os cientistas há décadas pensavam que só se sentirião daqui a muitas gerações, são reais. Cheias, furacões cada vez mais devastadores, zonas do planeta em seca severa, recordes de temperaturas, o degelo, a subida do nível do mar, o envenenamento das águas, dos solos, do ar já não são cenários de ficção científica. São factos reais, noticiados todos os dias e à vista de quem quiser ver. Se continuarmos neste ritmo de destruição do planeta e dos recursos, em breve entraremos numa espiral irreversível.

    E no entanto, a tecnologia hoje disponível e os conhecimentos científicos hoje alcançados tornam possível pará-la. A Terra vai aquecer 1,5ºC no próximo século mas depois de atingir esse pico pode começar a arrefecer permitindo a sobrevivências de todas as espécies, incluindo a nossa.
    Mas convido-vos a ver o documentário e a tirarem as vossas próprias conclusões. Está disponível gratuitamente no youtube e no videoclube da Zon.

    https://youtu.be/90CkXVF-Q8M
    Vejam e façam a vossa parte tomando medidas básicas como:
    - deixar de comer carne de vaca (as outras também, mas a vaca é a que tem maior impacto como já tive oportunidade de referenciar aqui)
    - deixar de consumir produtos de marcas que claramente não têm práticas sustetáveis
    - sempre que possível optar por produtos biológicos e de marcas amigas do ambiente
    - e principalmente pressionar os governos a tomar medidas sérias e vinculativas em defesa do ambiente, como por exemplo instituir a taxa de carbono, investir nas energias renováveis e multar os infractores com penas significativas.

    Ou então não vejam, não façam nada e morram com a certeza de que os vossos netos dificilmente sobreviverão num planeta sem água potável, sem solos para a agricultura, sem o Ártíco, sem corais, sem vida.

  • Além da tortura da privação do sono a que os filhos nos submetem durante largos meses (ou anos!), há outra arma de destruição maciça que não se coíbem de utilizar, sobretudo na fase dos dois aos quatro: a birra.

    A birra é um estado de descontrolo emocional de um pequeno ser à mínima contrariedade. Pode ser resultado de frustrações compreensíveis porque “por hoje acabou-se a televisão” ou porque “não, não podes comer outro gelado”, mas também podem ser fruto de um contratempo tão surpreendente como oferecermos a água no copo azul em vez do copo verde ou mesmo por descobrir que a sua festa de aniversário não é amanhã, mas sim daqui a três meses.

    Só que mais difícil do que tentar perceber no meio de um choro a roçar a histeria a causa de tal reação, é conseguir manter a calma e não responder na mesma moeda, isto é, com gritos histéricos e palavras das quais mais tarde nos arrependeremos.


    Por norma uma mãe começa por enfrentar a birra com uma abordagem pedagógica: ajoelha-se em frente do pequeno ser, olha-o nos olhos, fala num tom calmo, diz coisas amorosas como “pronto, não é preciso chorar,  a mamã está aqui, vá lá, já não és um bebé, eu sei que estás chateada mas, blá, blá, blá”. E por norma esta abordagem não resulta.


    Segue-se uma segunda tentativa de aplicar o que nos dizem alguns livros: ignorar até a criança perceber que o choro não a leva a lado nenhum e acabar por desistir do espetáculo. Porém, esta tentativa requer que estejamos num dia bom, em que o choro estridente não nos deixe os tímpanos a estremecer e em que a respiração abdominal que aprendemos nas aulas de yoga funcione. Também requer que o nível de birra seja médio baixo.


    Mas como na vida real a birra vai em crescendo e neste ponto os gritos do ser que um dia se acalmava apenas com o nosso embalo já se ouvem por toda a vizinhança, uma mãe vê-se na contingência de adoptar uma abordagem mais autoritária, que inclui debitar todas as frases que um dia ouvimos da nossa própria mãe: “queres chorar, chora, não posso fazer nada, já te disse que não e é não até ao fim, era só o que faltava aturar birras de uma criança de dois anos, e é bom que te cales, estás a ouvir? Senão levas uma palmada que até andas de lado, queres levar uma palmada, queres? Olha que não estou a brincar? Sua feia!”.


    E é precisamente a partir desse momento que o pior de nós começa a vir ao de cima e nos transformamos numa Mãezilla.  A irritação e a frustração por não conseguir controlar o nosso próprio filho traduzem-se em suores frios e numa vontade enorme de desatar e espalhar chapadas e palavrões. O auto-controlo que possuímos porque somos adultos e já levamos alguns anos de maternidade, em que todos os nossos limites físicos e psicológicos foram testados, impede-nos de enveredar por tamanha violência, mas na maioria dos casos não é suficiente para nos impedir de dar uma valente palmada e gritar frases estúpidas e infantis como “és má e já não gosto de ti”. 


    Sim. Uma mãe à beira de um ataque de nervos é capaz de dizer coisas horríveis de que se arrepende de imediato. E o pior é que, à medida que a criança se acalma e em poucos minutos  esquece tudo o que aconteceu voltando a ser um anjo adorável, nós começamos a sentir-nos umas mães horríveis, jurando a nós próprias que nunca mais perderemos as estribeiras e que vamos voltar a ler o raio dos livros escritos por todas as pessoas calmas e ponderadas que jamais se passam da cabeça e têm filhos adoráveis. Até à próxima birra...



    Ilustração de Sofia Silva, originalmente publicada no livro "Coisas Que Uma Mãe Descobre e de que Ninguém Fala"  Bertrand Editora 2015

  • Há uns tempos escrevi sobre uma exposição que o artista chileno Sebastian Errazuriz fez no âmbito da Art Basel em Miami intitulada "12 shoes for 12 lovers", em que transformou as suas ex-namoradas em sapatos. Foi uma colaboração com a marca brasileira Melissa e o sucesso foi tão grande que, na altura, foram feitas umas edições limitadíssimas, apenas disponíveis nas lojas/galeria que a marca tem em São Paulo, Londres e Nova Iorque.

    A primeira coisa que senti foi inveja, confesso. Inveja de todas as pessoas que puderam comprar tais sapatos, lindos, extravagantes e inacessíveis.

    Até que no outro dia passei na loja da Melissa do Colombo e vi na montra algo que me pareceu demasiado familiar. Ia com pressa, mas os meus olhos detiveram-se em três maravilhas que se exibiam na montra: uma edição especial de três dos tais doze sapatos, agora numa versão mais comercial e acessível a todas nós. Bom, acessível não é certamente a palavra certa, já que dois dos modelos ultrapassam os quatrocentos euros. No entanto, um deles, a versão rasa de "Hot Bitch", não ultrapassa os setenta e cinco.

    Escusado será dizer que não consegui resistir. Eu, que até andava há que tempos à procura de uns sapatos vermelhos! Pois agora já tenho não apenas uns sapatos vermelhos como principalmente um bocadinho da arte de Errazuriz nos meus pés. E estou apaixonada...









  • O que fazer àqueles sapatinhos da Barbie Frozen da minha filha de dois anos, com os quais não deve brincar por serem demasiado pequeninos?
    Um brincos para mim, claro está!
    Foi só pegar nuns brincos que não usava, furar o sapatinho com uma agulha quente (dando-lhe também um calor com o isqueiro para o plástico amolecer) e voilá! 

    Ahhh, as centenas de brincos que poderia ter feito com as minhas Barbies, em vez de ficar triste porque os sapatinhos estavam sempre a cair acabando por se perder.... ;)








  • Querido Marido,

    Agora que mais um ano lectivo está a começar, lembrei-me de escrever esta carta para que os nossos dias se iniciem da melhor maneira e consigamos aguentar-nos casados até às próximas férias grandes.

    Bem sei que és inexperiente nesta coisa de ter filhos, afinal “só” temos dois, mas deixa-me dizer-te uma coisa: as manhãs não têm de ser complicadas. A sério que não. E a diferença entre começarmos o dia entre stress e gritaria ou com tranquilidade está em 6 simples passos que deverás decorar, em vez de me perguntares trezentas vezes o que é que é preciso fazer. Pode ser? Então aqui vai.

    1º passo: Acordá-los
    Na maioria das vezes eles acordam sozinhos. E cedo. Aliás, não me lembro da última vez que ouvi o despertador, pois invariavelmente um deles acorda antes deste tocar. Mas caso estejam a dormir à hora em que já deviam estar a tomar o pequeno-almoço, a rotina é simples: abrir o estore, falar em voz baixa e dar-lhes uns cinco minutos de ronha e mimos. Mais que isso já é abusar, por isso toca a ir para o segundo passo. A sério, não te deixes manipular por anjos de olhos inchados a dizerem que querem ficar na cama mais um bocadinho, senão vai sobrar para mim fazer o papel de Mãezilla.

    2º passo: Vesti-los
    Eu escolho as roupas, os sapatos, os lacinhos da filhota. Tu só tens de ajudá-los a vestir as cuecas do lado certo e a não calçar os sapatos ao contrário, já que a partir de certa idade (mais ou menos aos dois anos) eles gostam de fazer tudo sozinhos e precisam apenas de uma orientação.

    3º passo: Alimentá-los
    Eles já falam e sabem bem o que querem. Basta perguntar o que lhes apetece comer nessa manhã! Simples, não é? No caso de os veres indecisos podes dar umas sugestões, por exemplo “Torradas e sumo?”, “Cereais com Iogurte?”. Sei que, por norma, tem de ser a mamã a fazer o pequeno-almoço, porque a mamã é que sabe a quantidade certa de Cerelac, a porção ideal de manteiga, a maneira correcta de tirar a côdea, fazer um rolinho com a fatia de queijo, etc., mas se não podes ajudar na tarefa em si, podes ajudar de outras formas. Por exemplo, abraçando os passos que vêm a seguir.

    4º passo: Higienizá-los
    Antes de sair de casa é obrigatório fazer xixi, lavar a cara, as mãos e os dentes. Não é um exclusivo das crianças é uma prática corrente entre todos os seres humanos.

    5º passo: Verificar mochilas e outros
    É só abrir o fecho éclair, espreitar para o interior da mesma e verificar se estão lá os cadernos, os chapéus, os bonecos preferidos. Só para não haver dramas e não ser preciso voltar a casa três vezes quando já estamos todos à saída da garagem.
    O “outros” é confirmar (comigo, sim) se algum deles estar a tomar alguma medicação ou precisa de pôr uns pingos no nariz ou tem de levar alguma coisa fora do habitual para a escola nesse dia. Podes perguntar-lhes que normalmente eles sabem melhor do que eu.

    6º passo: Expulsá-los
    Este passo é fácil: basta vestir-lhes os casacos e empurrá-los para dentro do elevador, tendo em atenção que um de nós tem de estar lá com eles, de preferência vestido e calçado, o que parece óbvio mas nem sempre acontece.

    E pronto, é isto. A nossa higienização, a nossa alimentação, a nossa indumentária, é tudo secundário. É algo que temos de aprender a fazer à vez e em tempo recorde.

    Sim, eu sei que é duro. Sim, eu também me lembro (embora com cada vez menos nitidez) de como eram as nossas manhãs há meia década. Não és só tu que tens saudades desses tempos. Tempos em que eu fazia um joggingzinho matinal, em que tomava banho sem que qualquer ser me abrisse a cortina para perguntar coisas importantíssimas como “hoje é quinta-feira, mamã?”, em que me dava ao luxo de tomar o pequeno-almoço sentada no sofá enquanto via as notícias, imagina!

    Só que esses tempo já se foram. Não para sempre; daqui a uns anos eles já saberão fazer tudo sozinhos e até irão gostar tanto de dormir que precisarão de um despertador bem barulhento para conseguirem sair da cama. Até lá, por favor, pára de me perguntar todas as manhãs o que é que é preciso fazer, como se todos os dias fossem diferentes. Não são. A rotina é sempre a mesma. Só tens de estar consciente destes seis passinhos e perceber em qual deles estamos quando sais do banho.


    Beijinhos da tua mulher que te ama muito, embora antes do meio dia não pareça,

    (assinar e deixar em lugar visível)

  •  Desde que os meus filhos tinham seis meses (e tendo a sorte de o poder fazer) nunca hesitei em deixá-los com os avós para fazer programas a dois com o meu marido. Algo não só necessário como fundamental para manter a sanidade de um casamento depois de sermos pais, devo acrescentar. Nunca nos ausentámos por mais de quatro ou cinco dias mas, ainda assim, esse curto período é o suficiente para termos tempo de qualidade um para o outro, para quebrar a rotina e sobretudo para dormir.

    No entanto, esta semana foi a primeira vez que os miúdos foram para casa dos avós e nós ficámos a trabalhar. Nada mudou na nossa rotina, à excepção da ausência dos nossos dois monstrinhos. E devo dizer-vos que soube quase tão bem como viajar sem eles. Juro. É que ao fim de quase cinco anos, pudémos voltar a fazer uma data de coisas que fazíamos antes de termos filhos e das quais eu já nem me lembrava. Coisas banais, rotineiras mas que, sem filhos por perto, se tornam pequenos luxos.

    1) tomar banho sem pressa e sem estar a ouvir alguém chamar o meu nome vinte vezes

    2) tomar o pequeno almoço em silêncio, sentada e sem ter de interromper para assistir a criançada nas suas mais variadas solicitações

    3) não ter de repetir até ao limite dos nervos frases como "vai lavar os dentes", "já fizeste xixi?" "calça-te se faz favor" "queres leite ou iogurte?"

    4) sair de casa sem ter de pensar no que vai ser o jantar e se há sopa feita no frigorífico

    5) sair de casa sem a sensação de que já acordámos há três horas

    6) sair de casa a horas

    7) chegar a casa depois de oito horas de trabalho e não ter de me sentar no chão a fazer legos ou plasticinas, seguido de banhos, refeições e a luta da hora de ir para a cama

    8) não chegar a casa. Deixar-me simplesmente ficar pela cidade, ir beber um cocktail com vista para o castelo e jantar no sítio que nos apetecer, sem pensar se é ou não kids-friendly

    9) ver um filme com a certeza de que ninguém me vai chamar nos primeiros vinte minutos

    10) ir para a cama com a certeza de que ninguém me vai chamar durante toooooooda a noite.

    Ah, então era assim a nossa vida antes de 2012? Se ter saudades desta vida é ser uma má mãe, então hoje sou de certeza a pior mãe do mundo!

  • Se estás a ler este post é porque, provavelmente, estás a dias de ires de férias ou de te veres perante a evidência de teres de usar um fato de banho, e ainda tens a secreta esperança de descobrir a receita secreta ou a dica nunca antes revelada para te tornarem um anjo da Victoria Secret da noite para o dia. Pois lamento desapontar-te, mas não vais encontrar nada disso nesta minha dissertação, pela simples razão de que para ter um corpo de Verão, ou seja, um corpo esbelto, tonificado, sem peles demasiado caídas, sem celulite demasiado evidente, sem grande flacidez, independentemente do peso, há que trabalhar o ano inteiro.

    Ainda assim posso deixar 5 dicas infalíveis, que podes começar a usar hoje e que te vai garantir um corpo espetacular no Verão de 2017. Aliás, se começares já, atingirás os teus objectivos antes mesmo da Primavera. Juro!

    Dica nº1: Faz exercício

    Eu sei, é uma seca. Arranjar tempo, a roupa foleira, o cheiro a suor, os ginásios cheios de fanáticos, as ciclovias cheias de turistas, as dores no corpo... Há tantas coisas melhores para fazer do que perder duas ou três horas por semana a fazer uma qualquer actividade de alta intensidade. Espera! Só duas ou três horas? No meio de uma semana inteira? Eh pá, se calhar não é assim tanto, pois não? De manhã, à hora de almoço ou ao final do dia, tem de haver uma altura do dia que dê para ti. Vá, paga lá a inscrição e começa já esta segunda-feira que ainda por cima é dia 1 e vem mesmo a calhar.

    Dica nº2: Faz mais exercício

    Sim. Já tinha mencionado esta, mas é mesmo para perceberes de uma vez por todas: não há dieta, não há tratamento estético, não há depuralina, não há suplemento ou comprimido que substitua o exercício físico. Acredita, eu tentei tudo. Até me render à evidência (e foi preciso passar dos 35 e por duas gravidezes) de que até podia perder peso com dietas, mas a única maneira de recuperar firmeza e tornear o meu corpo como ele esteve nunca antes, foi com treinos de alta intensidade três vezes por semana. E andar a correr atrás dos meus dois filhos pequenos também ajudou.

    Dica nº3: Hidrata-te

    A água faz bem a tudo. Todos os órgãos beneficiam com a ingestão desta bebida maravilhosa e não é preciso ser médico para saber que devemos beber litro e meio de água por dia. A água ajuda a eliminar toxinas, a limpar o fígado e, a preferida de quem quer perder uns quilinhos, a saciar a fome. Também torna a pele mais bonita.

    Dica nº4: Come bem

    Pois, neste sector também não há volta a dar. Não vale a pena passar o dia no ginásio e a seguir ir ao McDonalds, o que não quer dizer que tenhamos de dizer sempre não a um belo hambúrguer, piza ou gelado. A palavra-chave não é privação, mas sim equilíbrio. Sopas, saladas, fruta e legumes têm mesmo de fazer parte das nossas refeições diariamente. Mas depois podemos compensar o bom comportamento com uns miminhos, sobretudo quem segue religiosamente a dica 1 e 2.

    Dica nº5: Sê realista

    A não ser que nos tornemos fanáticos de ginásio ou atletas profissionais, a realidade é que nunca vamos conseguir aquela barriga perfeita, aquele rabo empinado, aqueles ombros torneados. Isso não existe. Ponto. Até porque há três obstáculos incontornáveis que nunca nos permitirão alcançar a perfeição: a genética (eu sei, é injusto), a gravidade e... aproveitar as coisas boas da vida. O que implica comer uma bola de berlim na praia, brindar com uma cerveja, dividir um balde de pipocas no cinema, ficar uma tarde inteira no sofá. Sê realista nos teus objectivos, porque mais do que um corpo de verão o que interessa mesmo é ter um corpo saudável e sentirmo-nos bem na nossa pele.

    Agora vai de férias, sem complexos, sem dramas, pois nada de grandioso se atinge da noite para o dia e não é uma barriguinha que te vai impedir de ter um Verão maravilhoso. ;)

  • Neste Europeu de futebol 2016, Fernando Santos e os jogadores que estiveram ao seu serviço na selecção, além da maior alegria das nossas vidas, deram-nos 7 lições muito sábias. 7 lições que todos devíamos  interiorizar e utilizar nos mais variados aspectos da nossa vida, de modo a acabar de vez com algumas das características mais irritantes do nosso povo, tais como o excessivo low profile, o medo de enfrentar os mais poderosos, o confundir orgulho com arrogância e o valorizar mais a modéstia do que o génio.


    1) Não tenhas pudor em dizer que és bom. 
    A humildade é muito bonita, mas em doses moderadas. Se tens talento não tenhas vergonha de o mostrar, porque as únicas pessoas que não sabem valorizar o verdadeiro talento são aquelas que não têm nenhum para mostrar. Se és o melhor do mundo, és o melhor do mundo.

    2) Não há impossíveis nem sonhos demasiado altos. 
    Há trabalho e persistência, isso sim. E claro, a sorte também conta um bocadinho, mas no fim do dia, quem não dá o litro, quem não abdica, quem não faz o dia parecer ter mais horas, não vai chegar lá. E quem desiste à primeira contrariedade também não.

    3) A união faz mesmo a força.
    Mesmo nos trabalhos mais individuais, precisamos de uma rede que nos suporte, que nos abrace nos dias em que tudo corre mal, que nos galvanize quando tudo corre bem, que nos defenda, mesmo desafiando os poderes impostos, que nos chame a atenção quando estamos a sair dos eixos, que tape os buracos que deixamos à vista. Juntos, com coragem, com determinação, sem largar o barco, mesmo quando parece que este se vai afundar.

    4) Segue os teus instintos 
    Independentemente do que os outros pensam ou dizem de ti, faz aquilo em que acreditas. Vai sempre haver velhos do Restelo e sobretudo trolls prontos a deitar abaixo qualquer coisa que estejas a tentar construir. Não ligues, não oiças, não respondas. A melhor resposta será sempre aquilo que conquistares. E se não consquistares nada, QSFD, pelo menos tentaste.

    5) Visualiza e verbaliza o teu objectivo
     Imagina o dia em que ele se vai concretizar. Não tenhas medo de o dizer em voz alta. Lembra-te sempre das palavras do engenheiro: só vou para casa dia 11 de Julho. E assim foi.

    6) Tem orgulho nas tuas raízes. 
    Sejas branco ou preto, sejas cristão ou muçulmano, sejas do campo ou da cidade, sejas rico ou pobre, as tuas raízes são a tua razão de ser. Não as escondas para pareceres mais sofisticado, mais moderno, mais em conformidade com o que os outros esperam de ti. És aquilo que és e é isso que te faz diferente de todos os outros. E, ao contrário do que nos tentam ensinar desde tenra idade, diferente é bom.

    7) Nos momentos difíceis lembra-te que quem ri por último, ri melhor.
    É um ditado antigo, mas dos que têm mais sentido. Deixa-os dizer que és louco, deixa-os rir das tuas ambições e rejubilarem com as tuas falhas. No fim, só interessa quem ganha e até acaba por dar mais gozo ganhar contra todas as probabilidades.


    Obrigada Fernando Santos. Obrigada a todos os atletas que deixaram tudo em campo e que com isso fizerem com que até os mais críticos, até os que andaram um mês a dizer mal, tivessem andado nos últimos dois dias a bradar aos céus o seu orgulho em ser português.

  • Querida Selecção,

    Confesso que não és a equipa que me enche as medidas, nem me emociono com os teus jogos como me emociono a ver os jogos do meu Benfica, mas és a equipa que representa o meu país e só por isso hei-de defender-te com unhas e dentes e apoiar-te com todo o meu coração, nos bons e nos maus momentos.

    Também tenho de admitir que o futebol que começaste por praticar neste Europeu, sem grande espectacularidade ou jogadas brilhantes, não é o que mais gosto de ver, mas nessas coisas sou muito pragmática: prefiro que ganhes do que jogues bonito. E a verdade é que foste passando cada fase a jogar cada vez melhor e ultimamente, sobretudo desde que o meu Renato se juntou ao meu Ronaldo (não desfazendo nos outros jogadores), classe e beleza não tem faltado.

    Não me sinto por isso no direito de te exigir nada, até porque antes do jogo com a Polónia ninguém me convencia de que chegarias à final. Eu é que te devo elogios por teres mostrado ao mundo inteiro que o que torna o futebol tão emocionante é precisamente a reviravolta imprevisível e a certeza de que ganha quem tem mais alma, mesmo que não seja quem joga melhor. E no que toca a alma, querida Selecção, se há alguma equipa que a tem és tu.

    Posto tudo isto, ainda assim, queria pedir-te uma coisa: podes trazer o caneco para casa?

    Ah e tal ir à final já é muita bom, grande orgulho, somos uma das duas melhores equipas da Europa. Não. Não é verdade. Neste ponto estou a 100% com o Mister: uma final é para ganhar. É que já me bastou o melão de 2004 e mais dois melões benfiquistas em 2013 e 2014. Na verdade (e agora os meus leitores portistas podem gozar deste triste facto) nunca vivi a experiência de ver a minha equipa, seja o Benfica ou Portugal, a ganhar uma final de uma grande competição internacional (os sub-20 não contam, tá?)

    Traz o caneco, vá.
    É só ganhar mais um jogo. Seja aos 90, aos 120 ou depois de dezoito penáltis para cada lado. Seja com o pé, com a mão ou com a cabeça. Não me interessam os pormenores. Só queria mesmo é que ganhasses. Todos sabemos que é possível, todos sabemos que és capaz e, acima de tudo, todos estamos a torcer por ti.

    Um beijo